SAS Brasil: Sertões 2019

 Saúde e Alegria no Sertões - uma organização que leva medicina especializada a lugares de difícil acesso.

Conheça o trabalho do SAS Brasil pela expedição que atravessou o país com o Rally dos Sertões em 2019.

 

Palhaço Dr. Lunático promovendo a alegria.

A Expedição de 2019

Em 2013, oito voluntários embarcaram na expedição de estreia do SAS Brasil, em que a organização acompanhou o Rally dos Sertões para fazer trabalho social pela primeira vez. Seis anos depois, a parceria continuou e a equipe aumentou para além de dez vezes: noventa e dois voluntários impactaram mais de treze mil pessoas e realizaram 2770 atendimentos médicos em onze dias, totalizando quase dois mil procedimentos e cirurgias.

 

O SAS Brasil percorre o país para oferecer medicina especializada, menos acessível em regiões afastadas das grandes cidades. Em 2019, foram contempladas as áreas da odontologia, oftalmologia, ginecologia, dermatologia e otorrino - cada uma com o seu projeto independente. Partindo de Campo Grande (MS), os competidores do Rally e voluntários do SAS viajaram por terra até, enfim, desembocar no litoral cearense, em Aquiraz.

A programação das ações sociais do SAS Brasil costuma ser bastante intensa. Junto aos atendimentos médicos são oferecidas desde brincadeiras e aulas para crianças a atividades que discutem abuso e violência doméstica com adultos, além de plantio de árvores e atendimentos veterinários. Isso só é possível com uma infraestrutura itinerante e com a parceria estabelecida junto aos agentes de saúde locais, contato que costuma ser iniciado com meses de antecedência.

 

Atendimento do projeto Ver Magia (oftalmopediatria).

 

Imagens: Atendimentos do projeto Sorrisaria (odontopediatria).

 

Brincadeiras em meio à ação na aldeia urbana Darcy Ribeiro, em Campo Grande (MS).

 

Imagens: crianças e voluntários são pintados pelo time da Alegria, tornando os atendimentos mais divertidos.

Projeto Ver Magia

O Ver Magia, projeto de oftalmopediatria, busca melhorar a visão de crianças com idade escolar, e assim, gerar um impacto de longo prazo. Problemas de vista estão entre os fatores que mais prejudicam o desempenho de alunos, podendo até levar alguns a desistir dos estudos. Diante desse cenário, previamente são feitas triagens nas escolas públicas das cidades por onde passará a expedição, que mapeiam quais crianças têm dificuldades de enxergar, e portanto, precisam passar em consulta. No dia da ação, os atendimentos feitos pelos voluntários oftalmologistas apontam se é mesmo necessário o uso de óculos em cada caso. Se for, a criança ganhará um novo par, feito sob medida e enviado futuramente para a escola.

Na expedição dos Sertões de 2019, foram feitos 1224 atendimentos oftalmológicos e doados 404 pares de óculos. Para muitas das famílias, é difícil conseguir uma consulta na rede pública, e também inviável o atendimento particular. A vinda do SAS Brasil, portanto, torna-se uma oportunidade importante.

 

Imagens: projeto Ver Magia (oftalmopediatria).

Pontos de parada

Pela primeira vez, duas expedições do SAS acompanharam os Sertões. Dividindo os voluntários, foi possível atender a quase todas as cidades por onde passaram as provas esportivas do rally, que é o maior da América Latina.

 

O trajeto incluiu paradas em seis estados: no Mato Grosso do Sul, em Campo Grande, aconteceram os primeiros dias de ação social - um na comunidade quilombola Tia Eva e o outro na aldeia urbana Darcy Ribeiro. Com a largada, os voluntários se dividiram no Mato Grosso; parte atendeu em Barra do Garças, parte em Alto Garças, que não estava no roteiro do rally, mas foi incluída no do SAS. Em Goiás, São Miguel do Araguaia; no Tocantins, São Félix do Tocantins; no Piauí, Bom Jesus, com dois dias de ação; e por fim, Aquiraz, no Ceará, a linha de chegada

 

As duas expedições percorreram juntas cerca de 13.200 km em 11 dias, dentre eles, 9 foram dias de ação social.

 

Com uma frota formada por carros e ônibus, os voluntários viajavam pelo sertão.

 

Imagens: atendimentos em Barra do Garças (MT): acima, idosos aguardando consulta na carreta itinerante; abaixo, crianças na sala espera do posto de saúde local, muito receptivo com os médicos do SAS.

 

Na aldeia urbana Darcy Ribeiro, dentistas ensinam as crianças como escovar e cuidar dos dentes.

 

Logo de manhã cedo, já se formou a fila para cadastros e atendimentos em Bom Jesus (PI).

 

Imagens: Fachadas nas comunidades atendidas na periferia de Campo Grande.

Uma via de mão dupla

Enfim, pode-se pensar que quem sai mais beneficiado com ações sociais de saúde são os pacientes atendidos. O ganho, no entanto, vem para ambas as partes - tanto pessoas impactadas quanto voluntários. A convivência entre pessoas que vivem de maneiras muito diferentes costuma ser enriquecedora (quando há abertura). A maioria dos voluntários é de classe média alta e vive em bairros nobres de grandes cidades, cujo estilo de vida diverge muito em relação a consumo, tecnologia e ritmo em comparação a pequenas comunidades, em que vive-se, em geral, com mais simplicidade e mais calma. Seja no sertão, interior ou mesmo nas periferias. Valores, percepções, prioridades e oportunidades são diferentes; há sempre algo a oferecer.

Penso que a troca entre os conhecimentos que cada realidade distinta proporciona nos engrandece. E, a uns, faz repensar. 

 

Imagens: algumas das crianças que participaram das ações nos sertões e encantaram a todos.

 

Animais também são atendidos com a vinda de veterinários na expedição.

 

Algumas pessoas nos marcam pelo caminho. Desse olhar eu não me esqueço; olhar de quem aprendeu a se defender na marra de diversas formas de violência; olhar de quem hoje não tem mais medo.

 

É uma via de mão dupla.

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